Gravidez e parto

Doenças comuns

Toxoplasmose Congênita


Toxoplasmose Congênita

A toxoplasmose é uma protozoose de ampla distribuição geográfica, causada pelo Toxoplasma gondii. A transmissão congênita ocorre principalmente quando a mulher adquire a primoinfecção durante a gestação. O parasita atinge o bebê por via placentária causando danos de diferentes graus de gravidade dependendo principalmente do período gestacional em que a mulher se encontra, podendo resultar, inclusive, em morte fetal ou em graves manifestações clínicas. A infecção fetal poderia ser atenuada ou prevenida quando há tratamento materno após um diagnóstico precoce na gestação.

Quando a infecção materna ocorre antes da décima quinta semana de gestação, a taxa de transmissão para o concepto é menor do que 5%, porém, em geral, a doença é grave no RN. Por outro lado, se a infecção materna ocorre no final da gravidez, a infecção fetal ocorre com maior freqüência (até 80% dos fetos), mas o recém-nascido é assintomático ou apresenta doença menos grave.

Toxoplasmose Congênita

Toxoplasmose Congênita

Diagnóstico na gestação

O principal exame de triagem realizado durante a gravidez é a sorologia materna (IgM e IgG). Este exame é simples e realizado através da coleta de sangue. O exame é constituído de duas variantes o IgG e IgM.

Ele deve ser realizado em todo pré-natal no primeiro trimestre e repetidos no segundo e no terceiro trimestre se a mãe nunca apresentou toxoplasmose. Este exame deverá ser realizado na primeira consulta de pré-natal.

O IgM mostra os anticorpos ativos contra a doença, ou seja, a pessoa que possui o IgM positivo possui a infecção ativa. O IgM fica positivo a partir do 7 dia de doença e permanece até 4 meses da mesma. Por isso o ideal se a mulher está pensando em engravidar é fazer o exame antes de engravidar. O IgG indica que a mulher já apresenta memória para aquela doença, ou seja, apresentou em algum momento da vida.

Isso é bastante complicado até para alguns médicos entenderem então resumidamente fica assim:

  • IgG positiva e IgM negativa -> você já esteve com a doença e já apresenta memória imunológica para ela. Não precisa mais repetir o exame e nem prevenir a doença pois já apresentou.
  • IgG positiva e IgM positiva -> você apresenta a doença ativa. Você teve a doença no período de 4 meses. Deve procurar sua obstetra para fazer novos exames para apurar se a infecção é recente e ocorreu durante a gestação. Os exames são de sangue com o teste de avidez da IgG podendo a ter a realização de amniocentese que é a retirada de um pouco de líquido do útero para exames.
  • IgG negativa e IgM positiva -> a gestante deverá repetir o exame em 15 dias e procurar urgentemente sua ginecologista. Se em 15 dias a IgG tornar-se positiva, você apresentou a doença durante a gestação e deverá realizar o tratamento. Se o exame ficar negativo, o exame deverá ser refeito mensalmente
  • IgG negativa e IgM negativa -> você não apresentou a infecção, ou seja é suscetível a ela. Deverá repetir os exames no primeiro, segundo e terceiro trimestre.

Perfis sorológicos da toxoplasmose:

  • IgM e IgG negativos: ausência de infecção
  • IgM positiva e IgG negativa: infecção aguda
  • IgM e IgG positivas: infecção recente ou subaguda
  • IgM negativa e IgG positiva: infecção crônica

 Sou suscetível a doença o que devo fazer ?

Todas as gestantes consideradas suscetíveis, ou seja, IgM e IgG negativas devem ser orientadas de modo a reduzir o risco de se infectarem na gestação. Estratégias simples podem ser muito úteis:

  • Evitar ingerir e manipular carne crua e vegetais crus
  • Evitar o contato com terra potencialmente contaminada com dejetos de felinos
  • Ingerir água tratada

A gestante não deve apresentar contato com gatos durante a gestação. Mesmo os que os gatos sejam da gestante a mesma deve se afastar (moradia diferentes) durante a gestação. A transmissão por gatos da toxoplasmose é uma via comum de transmissão, e o gato se contamina rapidamente.

Tratamento da gestante

O tratamento da gestante inclui o uso de espiramicina, pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico e visa principalmente evitar a infecção fetal e iniciar o tratamento do concepto infectado ainda intra-útero. A espiramicina previne a passagem transplacentária do toxoplasma para o feto, enquanto os outros medicamentos atravessam a barreira placentária tratando diretamente o feto via intra-uterina, prevenindo ou diminuindo sequelas.

Todas as gestantes com infecção aguda (IgM positivo e IgG positivo) devem iniciar tratamento com espiramicina . A espiramicina NÃO trata o feto. Se confirmada a infecção fetal ou se esta não puder ser descartada, o tratamento deve incluir também a Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido folínico (este para evitar os efeitos colaterais das outras drogas).

 Clínica

A toxoplasmose pode passar desapercebida no momento do nascimento, porém os sintomas podem se manifestar meses ou até anos depois. A forma subclínica (assintomática) ocorre em 70-90% dos casos. Entretanto, se essas crianças não forem diagnosticadas e tratadas precocemente 85% poderão desenvolver infecções oculares durante a infância e adolescência e 40% apresentarão sequelas neurológicas posteriores.

As principais características clínicas da toxoplasmose congênita são:

1 – Alterações neurológicas

2 – Alterações oftalmológicas

3 – Outros sintomas -> incluem prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino (CIUR), anemia, trombocitopenia, aumento do volume abdominal, aumento dos gânglios, icterícia, surdez neurossensorial, entre outros.

Diagnóstico no recém- nascido

São critérios diagnósticos para confirmação de toxoplasmose congênita:

1-    Presença de IgM positiva após o 5º dia de vida

2-    IgA positiva nos primeiros 6 meses de vida

3-    IgG específica persistentemente positiva após o 12º mês de vida

4-    Alterações sugestivas de infecção congênita associadas à presença de IgM e/ou IgG específica em títulos ascendentes

5-    PCR para T. gondii positivo em sangue periférico

Deverá ser realizado os seguintes exames no recém-nascido para avaliar o comprometimento do mesmo

  • Hemograma com plaquetas
  • Bioquímica
  • Radiografia de crânio
  • US transfontanela e/ou tomografia computadorizada do crânio (TCC)
  • Exame Oftalmológico
  • Líquor (líquido da espinha)
  • Exame audiológico: para avaliar perda auditiva

Tratamento na criança

Iniciar precocemente e estender até um ano de idade (mesmo nos casos de infecção subclínica). Controle: hemograma e plaquetas a cada 15 a 30 dias (durante o uso de sulfadiazina e pirimetamina).

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Autor: Thatiane Mahet